Como a virtualização do ambiente de trabalho pode afetar os processos de gestão?

 

A virtualização dos ambientes de trabalho vem ocorrendo nas organizações, em maior ou menor intensidade, e é dependente do acesso destas às tecnologias, mas parece ser uma tendência irreversível que trará consequências nos processos de gestão.

Estudos relatam que a adoção de ambientes virtuais de trabalho tem sido justificada por fatores identificados como objetivos e subjetivos. Os objetivos, tais como: a globalização das operações e consequente assincronicidade das atividades, necessidade de redução das despesas com espaços físicos, grande demanda de tempo para locomoção das pessoas para o local do trabalho, principalmente em grandes centros urbanos, etc.. E fatores não objetivos, tais como: capacidade de produção individual dos colaboradores melhorada em diferentes períodos do dia e/ou noite, necessidade de mais tempo para convívio com a família em longas jornadas de trabalho, menor desgaste de relações interpessoais, maior foco e concentração nas entregas, etc.

Aqueles que advogam favoravelmente pela virtualização salientam que com ela se perde menos tempo com ritos interpessoais e se foca mais nas entregas. Os contrários salientam que ela tem como consequência a redução dos laços interpessoais e isso pode ser um fator que contribua para a desagregação, e também se preocupam com a gestão das atividades à distância como um limitador para o desempenho, entre outros pontos.

Tudo indica que essa mudança veio para ficar. Pode-se identificar diversas plataformas disponíveis na internet, algumas gratuitas, que integram pessoas e grupos como redes sociais privadas. Também observa-se o surgimento de espaços virtuais de realidade aumentada, ainda não acessíveis para a grande maioria das pessoas e organizações, onde colaboradores se reúnem, por meio de seus avatares, e de lá desenvolvem suas atividades de cooperação e compartilhamento à distância.

Algumas pesquisas, que vêm sendo realizadas em organizações adotantes de ambientes virtuais, revelam evidências interessantes, das quais são elencados sete delas a seguir:

  1. Em algumas organizações observou-se, nas fases preliminares à adoção desses ambientes, o medo do isolamento e da readequação de papeis, principalmente pelos gestores;
    1. O afastamento físico, ao contrário do que se poderia pensar com a adoção dos ambientes virtuais propiciou, em algumas organizações, o aumento da comunicação entre as pessoas, justificado pela criação de canais eletrônicos com menores barreiras que as existentes pessoalmente;
    2. Observou-se também o aumento da agilidade nos processos de tomada de decisão nas organizações que tiveram sucesso em seu uso, e nelas, tem sido constatada a adequação de processos de trabalho;
    3. Constatou-se também que o perfil do profissional que melhor se adequa a esse tipo de ambiente é aquele automotivado, disciplinado, e com maturidade suficiente para realizar a autogestão;
    4. Nas organizações mais exitosas no uso desses ambientes, seus gestores atuavam com clareza e foco na determinação de objetivos e contavam com a confiança de seus colaboradores;
    5. Por fim, observou-se que as organizações, por meio do uso desses ambientes tecnológicos, podem focar mais facilmente em resultados e entregas.

    De certa forma as dimensões centrais que são observadas nas pesquisas são os nossos velhos conhecidos: pessoas, processos e tecnologia. A diferença é que esses elementos, por meio de um ambiente virtual, podem ser integrados de uma nova forma, mais dinâmica, mais recursiva. Pessoas, tecnologias, instituições e práticas de gestão, cada vez mais se inter-relacionam, moldam e são moldadas umas às outras, e são permeadas pela colaboração e cooperação.

    Em um contexto organizacional onde os antagonismos entre a singularidade e a pluralidade, homogeneidade e diversidade, do protagonismo pessoal pelo organizacional, se fazem cada vez mais presentes, a integração das diversas dimensões parece ocorrer mais facilmente em ambientes virtuais, onde as tecnologias contribuem, mais do que em outras circunstâncias, com a construção de um novo modelo de identidade corporativa.

    Estamos prontos para esses desafios?

    Paschoal Tadeu Russo:
    Doutor em Controladoria e Contabilidade (FEA/USP); Mestre em Contabilidade (FECAP), Especialista em Finanças (FIA), Engenheiro Mecânico (FEI). Professor do Mestrado Profissional em Controladoria e Contabilidade da FIPECAFI. Consultor de empresas em projetos de Transformação da Gestão Organizacional.

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