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Decisões Financeiras Corporativas, uma breve sinopse

Uma empresa deve criar valor para seus acionistas e para a sociedade como um todo. No processo de criação de valor, os gestores enfrentam inúmeros desafios e incertezas, tais como a escolha correta dos ativos operacionais e a melhor forma de financiá-los. Não obstante, os administradores devem conhecer e mensurar corretamente todos os riscos operacionais e financeiros aos quais a empresa está exposta, protegendo-a contra eventos imprevistos, os quais podem comprometer a geração de valor e o crescimento futuro da companhia.

As três principais decisões financeiras tomadas pelos gestores de uma empresa são:

• Decisão de financiamento

• Decisão de investimento

• Decisão de distribuição dos lucros do exercício

Para promover o crescimento da empresa seus administradores precisam investir em bons ativos operacionais, os quais serão os responsáveis pelo futuro crescimento na geração de caixa operacional. O investimento é uma necessidade constante nas companhias. Uma empresa que não investe, não cresce e encontra-se inexoravelmente no caminho do desaparecimento ou de perder mercado e ser superada pelos seus concorrentes.

Em mercados dinâmicos, a empresa precisa de adaptar seus investimentos aos novos cenários de forma rápida, se não acabará engolida por seus concorrentes. Um exemplo famoso de empresa que não se adaptou às mudanças de mercado é o da Eastman Kodak Company, ou simplesmente, Kodak. A empresa, que surgiu em fins do século XIX e foi sinônimo de fotografia por quase 120 anos, não soube avaliar a rápida mudança de cenário decorrente do advento da fotografia digital, um produto que ela mesma havia ajudado a criar em meados dos anos 1970, mas no qual decidiu não investir. Não sendo ágil para se adaptar às evoluções tecnológicas e rápidas mudanças nos hábitos dos consumidores que surgiam no horizonte, a Kodak, cujo faturamento dependia muito da venda de seu principal produto, o filme analógico, perdeu eficiência e foi ultrapassada por seus concorrentes. Vindo a acumular seguidos prejuízos, viu-se obrigada a entrar com pedido de concordata em 2012. Em face de decisões que se revelariam erradas, a empresa, outrora grande geradora de valor aos acionistas, praticamente desapareceu do mercado.

A decisão de financiamento dos investimentos deve -se pautar pela escolha da fonte de recursos menos onerosa para a empresa. Uma companhia pode financiar seus ativos por capital próprio (capital dos acionistas) ou por capital de terceiros (capital de credores). Cada uma destas fontes de recursos tem seus próprios custos e condições. Uma fonte de financiamento cujos custos de capital sejam mais baixos fará os futuros investimentos corporativos gerarem mais valor.

A partir da interação entre as melhores decisões de investimento e financiamento haverá a maximização do valor da companhia. Desta forma, estas duas decisões financeiras estão interligadas e não existe uma decisão de investir separada de uma decisão de como financiar. Sempre que os administradores decidem adquirir novos ativos, os quais serão responsáveis pelo futuro crescimento da empresa, devem escolher também qual será a fonte dos recursos que os financiará.

A decisão de distribuição de lucros entre os acionistas, por sua vez, fecha um ciclo que se inicia com as decisões de investimentos e financiamentos. Empresas financiam os investimentos em ativos com o objetivo de obter lucro futuro. Uma vez verificado o lucro, toma-se a decisão de partilhá-lo entre todos os acionistas, na forma de pagamentos de dividendos.

Empresas enfrentam um trade-off entre distribuir mais dividendos aos seus acionistas ou reter uma parcela maior dos lucros do exercício. Uma empresa que paga um percentual alto do resultado aos acionistas na forma de dividendos guardará uma parcela menor do lucro. Portanto, sacrifica suas reservas de lucros, as quais poderiam ser utilizadas em futuros investimentos. Em sentido oposto, uma companhia que distribui um percentual menor de seu lucro aos acionistas aumentará suas reservas a estará mais capitalizada para realizar seus próximos investimentos, sem a necessidade de aumentar seu endividamento. Percebe-se então a importância da decisão de distribuição de lucros na empresa, pois está ligada às futuras decisões de financiamento e investimento.

A maximização de valor corporativo por intermédio das melhores decisões financeiras é um dos principais temas debatidos na disciplina de Finanças Corporativas, e envolve conhecimentos de Finanças, Contabilidade e Gestão, além das principais metodologias destinadas à análise dos investimentos empresariais. O estudo de Finanças Corporativas é essencial aos administradores, visto que a criação de valor ao acionista e o crescimento futuro dependem da capacidade de realizar as melhores escolhas na condução da companhia. Empresas que agregam valor de forma sustentável e constante são mais bem vistas pelos investidores no mercado, com repercussão positiva no preço de suas ações.

Autoria: Prof. Dr. Rogério Paulucci Mauad