História da Contabilidade e sua Grande Mudança

 

Quando ouvimos a palavra contabilidade, logo imaginamos diversos números, ou mesmo contas e mais contas para calcular. Entretanto a contabilidade possui uma teoria muito rica e sua criação vem de uma história muito mais longa e importante para a sociedade do que muitos ignoram, para entendermos esse conceito, discorreremos adiante como a contabilidade chegou para ficar.

A origem da contabilidade é tão antiga quanto as primeiras civilizações, as quais, no instinto de proteção de bens, se utilizavam de controles básicos de contabilidade para mensurar seu patrimônio.

Conforme expõem, Santos, Schmidt e Machado (2005), as primeiras fichas de barros foram encontradas no período pré-histórico, 8.000 a.C. em Uruk, as quais eram utilizadas para controle de estoques de produtos agrícolas e animais.

“A arqueologia da contabilidade é fruto de estudos científicos de restos humanos desenvolvidos no período mesolítico (10.000 a 5.000 a.C.), ou seja, na pré-história, isto porque esses fatos ocorreram antes do aparecimento da escrita, sendo que as primeiras fichas de barro foram encontradas em 8.000 a.C. em Uruk, antiga cidade da Mesopotâmia e centro importante da civilização sumeriana.
Nesse período, o sistema contábil era utilizado para controle de estoques de produtos agrícolas e animais, sendo registrados em fichas simples e complexas, através de caracteres cuneiformes, ou seja, a escrita em forma de cunha dos assírios, babilônios, medos e persas. Posteriormente surgiram os primeiros pictográficos, com o início da contagem abstrata e da escrita.”

Segundo Antônio Lopes de Sá (2009), há evidências de que o homem há mais de 20.000 de anos realizava de forma primitiva registros contábeis, a fim de estimar seus bens.

“Muitos foram os elementos arqueológicos encontrados em grutas e em rochas, no Brasil, em Portugal, na França e em outros países.
Admite-se, pois que há cerca de 20.000 anos, o homem já registrava os fatos da riqueza em contas, de forma primitiva. O homem primitivo buscava, assim, memorizar aquilo que dispunha e que não precisava mais buscar na natureza, porque armazenara.”.

Conforme constatado em estudos arqueológicos, pode-se constatar que o homem primitivo se valia de registros contábeis para mensurar o que possuía de bens.

Logo, através dos estudos realizados, fica evidente que a civilização sempre necessitou realizar controles para conhecer seu patrimônio, os quais foram evoluindo após a criação da escrita.

De acordo com estudiosos a escrita cuneiforme, nome dado devido a utilização de símbolos em forma de cunha, basicamente contábil surgiu no IV milênio a.C. Conforme elucida Sá (2009):

“A escrita cuneiforme, da Mesopotâmia, basicamente contábil, surgindo no IV milênio antes de Cristo, sendo mais utilizada nesse sentido que para qualquer outro, segundo afirmam estudiosos da questão, foi um desses progressos que, como os da era lítica, orgulham o conhecimento da Contabilidade, por sua qualidade como expressão do pensamento.”.

O processo de evolução se estendeu desde 4.000 a.C., o qual foi divido em períodos, sendo que um desses chega a mais de 1.000 anos. Vários registros foram encontrados durantes as escavações e mostraram que a escrita foi se adequando aos interesses contábeis dos templos.

Por volta de 2.000 a.C. a Mesopotâmia já possuía controles contábeis e produzia balanços de qualidade, vide explicação de Sá (2009): “Cerca de 2.000 anos antes de Cristo, a Mesopotâmia já adotava o Razão, tinha muitas demonstrações e sumários de fatos patrimoniais, possuía orçamentos evoluídos de receita e despesa pública, cálculos de custos e já produzia balanços de qualidade.”.

No Egito, a utilização do papiro fez surgir os livros contábeis e a evolução da escrita egípicia contribuiu para o desenvolvimento da contabilidade.

De acordo com Santos e Schmidt (2008), após a criação da moeda e das medidas de valor, o sistema de contas ficou completo, fazendo com o que as contas contábeis representantes do patrimônio e seus respectivos valores fossem apurados. Conforme relata os autores, há, no entanto, uma divergência quanto à propriedade e data de criação, onde alguns estudiosos defendem que foi Egina em 869 a.C. Contudo, as primeiras descobertas reconhecidas ocorreram na Lídia em 650 a.C. e na Grécia em 600 a.C.

“Com o surgimento da moeda e das medidas de valor, o sistema de contas ficou completo, sendo possível determinar as contas contábeis representantes do patrimônio e seus respectivos valores. Os historiadores possuem opinião difusa de que a primeira confecção de moeda tenha sido em Egina, pequena ilha no golfo de Atenas, em 869 a.C., e de que foi feita de prata. No entanto, as primeiras moedas que tiveram sua criação historicamente comprovada foram as de Lidia (na Ásia Menor), em 650 a.C., e na Grécia, em 600 a.C.”.

Embora haja uma divergência entre a correta data, fica evidente que após a criação da moeda e da medida de valor a contabilidade pode enfim ser mensurada de forma clara e compartilhada.

Em 1.100 d.C. tiveram início as cruzadas, gerando oportunidade econômica, o que incentivou a criação das partidas dobradas, e em 1.200, conforme sugerem Santos, Schmidt e Machado (2005) “Com a revolução comercial surgem as primeiras manifestações práticas: o sistema de partidas dobradas em Veneza, Gênova e Florença.”.

Assim, defende Iudícibus (2015), que essas cidades foram o florescer da contabilidade, pois possuíam uma forte atividade comercial.

“É, assim, fácil de entender, passando por cima da Antiguidade, por que a Contabilidade teve seu florescer, como disciplina adulta e completa, nas cidades italianas de Veneza, Gênova, Florença, Pisa e outras. Estas cidades e outras da Europa fervilhavam de atividade mercantil, econômica e cultural, mormente a partir do século XIII até́ o início do século XVII. Representaram o que de mais avançado poderia existir, na época, em termos de empreendimentos comerciais e industriais incipientes. Foi nesse período que Pacioli escreveu seu famoso Tractatus de computis et scripturis, provavelmente o primeiro a dar uma exposição completa e com muitos detalhes, ainda hoje atuais, da Contabilidade.”.

A atividade comercial entre os povos fez crescer a importância dos registros e acompanhamentos contábeis, acelerando, assim, o desenvolvimento de técnicas contábeis.

Conforme mencionado pelo autor foi nesse período que Luca Pacioli publicou sua obra, tornando-se assim um grande marco da história da contabilidade.

A contabilidade continua, ainda hoje, sofrendo diversas atualizações para acompanhar o desenvolvimento tecnológico e padrões normativos.

Com esse avanço e com o auxílio tecnológico a contabilidade deixou de ser mero registro em livros e passou a gerar expectativas para tomada de decisões de grandes negócios.

Assim, explica o professor Bruno Salotti, coordenador da graduação em ciências contábeis da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).

Foi-se o tempo em que o contador era o mero encarregado de registrar manualmente em livros cada ocorrência contábil do negócio. As atividades burocráticas da área passaram a ser cada vez menos feitas por humanos com a chegada da informática e, mais tarde, dos softwares especializados.
O profissional deixou de produzir os dados e passou a analisá-los, com o objetivo de prever o impacto contábil de cada decisão de negócios.Nesse sentido, deixou de olhar para o passado da empresa o dinheiro que entrou e que saiu no mês anterior, por exemplo, e passou a fazer projeções para seu futuro.

Conclusão

Concluindo, verificamos que a contabilidade começou a ser utilizada desde os tempos primórdios, mostrando assim sua importância para a sociedade, pois o homem necessitava registrar o que possuía para dar continuidade em suas tarefas diárias.

Portanto, a partir da contabilidade antiga onde eram realizados meros registros, atualmente as normas, inclusive as internacionais, e leis vão tomando conta dos números, caracterizando uma grande mudança nos padrões da área contábil.

Dessa forma, a sistematização e a tecnologia tem se encarregado desse avanço na contabilidade moderna.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P.; MACHADO, N. P. (2005) – Fundamentos da Teoria da Contabilidade. Editora Atlas. São Paulo.

SÁ, A. L. (2009) – História Geral e das Doutrinas da Contabilidade. Editora Atlas. São Paulo.

SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P. (2008) – História da Contabilidade. Editora Atlas. São Paulo.

Iudícibus, S. (2015) – Teoria da Contabilidade. Editora Atlas, 11ª edição. São Paulo.

https://www.jornalcontabil.com.br/conheca-origem-e-historia-da-contabilidade/Fonte: Rede Jornal Contábil – 26/03/2016.

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Artigo

Aluno: Gabriel Tomaz Santana

 

 

 

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