Já pensou que as empresas controladas por famílias têm comportamento análogo ao do ser vivo?

 

Os seres vivos nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Apesar de algumas empresas terem longevidade privilegiada, elas se assemelham às pessoas, principalmente porque são as pessoas que fazem as organizações existirem. Dessa maneira é relevante entender em que estágio do ciclo de vida organizacional.  Com esse conhecimento aprendemos a tratar diferentemente os diferentes. Um bebê precisa de um certo tipo de atenção que difere daquela que é proporcionada a um adulto, por exemplo. Podem consumir diferentes produtos e suas vulnerabilidades não são necessariamente iguais.

Os estágios organizacionais são tratados na literatura. Têm semelhança com os estágios vivenciados pelos seres humanos: nascimento, crescimento, maturidade, declínio e rejuvenescimento. Tratamos isso nas nossas pesquisas porque é importante que a organização seja entendida no ciclo em que se encontra e evite fazer comparações indevidas. Cobrar do bebê o mesmo que se cobra do adolescente é complicado.

No nascimento a importância é sobreviver. Normalmente existe uma associação entre tempo de vida e o estágio do nascimento e a característica do pequeno porte está presente. No estágio do crescimento a organização se dedica a comercializar seus produtos e serviços sem grandes preocupações com aumento de eficiência. No estágio da maturidade existem sistemas de informações quando os controles de gastos e planejamento são enfatizados. Isso só acontece quando o fundador sai do dia-a-dia da organização.  Considera-se que estar no estágio da maturidade é algo positivo para a organização em termos de sustentabilidade. No declínio as desavenças internas são tão fortes que sobrepõem o interesse na continuidade da empresa e o abandono de mecanismos é substituído pela predominância do ego dos controladores. Finalmente, no rejuvenescimento a empresa busca novas motivações e estruturas, trazendo de volta os mecanismos de gestão.

Os estágios não são necessariamente precisos, mas indicam características predominantes. Essas características demandam estruturas para compatibilizar a gestão.  A partir delas é possível olhar, entender e agir sobre o seu desenvolvimento. Podemos encontrar empresas que, ao mesmo tempo, apresentam características de vários estágios. Eu diria que é o mais comum.

Fábio Frezatti
Coordenador do Laboratório de Pesquisas em Práticas Gerenciais – FEA USP

 

 

2 comments

  1. Igor - Responder

    Você está coberto de razão quando afirma que as empresas apresentam traços de vários estágios, uns mais predominantes que os outros – nem sempre os mais predominantes são os mais adequados para o seu ciclo atual, é verdade.

    Excelente texto, Fábio.

    Um abraço.

  2. FIPECAFI - Responder

    Olá Igor, que bom que gostou do conteúdo, convido você a comparecer nos encontros que a Faculdade FIPECAFI oferece todos os meses relacionados a diversos assuntos.

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