O líder precisa ouvir ou escutar?

Man-Listening

Reinaldo Passadori*

Gerir pessoas é saber escutar, isso é fato. O novo líder entende a necessidade de estar atento ao outro e sabe que para a qualidade da vida no trabalho, é preciso colocar-se à escuta. Mais do que ouvir, escute. Estes instantes lhe garantirão inteligência, domínio, sabedoria e principalmente interação. Nessa relação com seus pares se dá a cooperação, um indicador de crescimento do líder, que se empenha a uma atitude de respeito, cujo objetivo é a liberação do potencial de crescimento dos liderados, tendo como resultado as pessoas compartilhando experiências.

Mas qual é a diferença entre ouvir e escutar?

Nossos ouvidos ouvem a música, a campainha, o latido do cachorro, o barulho na rua. Ouvir é apenas receber o som que vem de fora, sem dar importância. É só mais um estímulo que “entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Escutar vai além da função do aparelho auditivo. Não é apenas estar ali, olhando para o outro, esperando que ele termine de falar. A capacidade de ouvir vai além de pose e semblante de ouvinte, que demonstra interesse pelo argumento, pela matéria, ou fato. Escutar é colocar-se de lado por um instante, esvaziar-se de alguns conceitos pré-estabelecidos e perceber o que o outro quer lhe transmitir.

Quem tem boa escuta, dá atenção, está interessado em assimilar a expressão de quem fala e diz a coisa certa, na hora certa, usando o tom de voz próprio. Em contrapartida, o interlocutor tem condição de compreender melhor a situação, visualizar o problema e transmitir uma palavra em tom de voz adequado, sendo capaz, até mesmo, de sugerir alternativas.

Quem escuta, participa, propõe; porém, o inverso nem sempre acontece. As pessoas estão preocupadas em falar, falar e falar e não param para escutar e perceber o que há em volta. Vale dizer que não escutamos apenas com o ouvido. Escutamos com a nossa atenção. Os gestos, a linguagem corporal e os sinais que os lábios não dizem; correspondem à linguagem não verbal, códigos a serem percebidos além do que a boca fala, porque a mensagem que ouvimos pode estar nas entrelinhas. Acredite: ‘’O corpo fala’’– pensamento que ilustra esta questão.

Escutar, portanto, é uma habilidade que construímos. Ela pode ser aperfeiçoada ou perdida ao longo do caminho e corremos o risco de perdê-la no dia a dia corporativo, com a velocidade dos acontecimentos e demandas, com as constantes informações, o tempo curto e até mesmo por nossa ansiedade.  A perda da prática de escutar não é ficar surdo, mas até onde a linha da escuta pode ir, o quanto sabemos escutar as pessoas.

Melhor do que descobrir coisas incríveis sobre os liderados que você escuta, é constatar habilidades maravilhosas que podem potencializar o trabalho em equipe. Seja o cliente ou o seu colaborador, dê prioridade em escutar. Demonstre real interesse, escute antes de falar. Essa é uma sugestão preciosa e você pode valer-se dela em seu sua prática de gestão.

*Reinaldo Passadori – Professor e Diretor do Instituto Passadori, especialista em Desenvolvimento Humano e Comunicação Verbal. Conferencista dos mais requisitados em seu segmento no Brasil. É autor dos livros: “Comunicação Essencial – Estratégias Eficazes para Encantar seus Ouvintes” – “As 7 Dimensões da Comunicação Verbal” -  “Media Training” – Comunicação Eficaz com a imprensa e a Sociedade – Editora Gente e “Quem não Comunica não Lidera” – Editora Atlas.

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