QUEM É O MINISTRO DA ECONOMIA?

Alberto Furuguem

Semana passada, a Presidente Dilma precisou vir a público declarar que o seu Ministro da Economia era Guido Mantega, titular da Fazenda, já que a imprensa chegou a sugerir que a fala de Rousseff, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, demonstrava que a Presidente é, de fato, sua própria ministra da economia. É certo que Mantega está entre os ministros (com escritório fora do Planalto) que mais interagem com Dilma (Mercadante, titular da Educação, tem-se destacado, também, na agenda presidencial). Certamente Dilma aceita muitas sugestões de Mantega, o que sugere que tenham ideias econômicas parecidas.

Sem entrar no mérito sobre a capacidade técnica de Dilma, enquanto economista, o fato é que seria praticamente impossível a um ser humano (com inteligência dentro da faixa de normalidade) conseguir dominar, com a profundidade necessária, tantos e tão variados temas sobre os quais precisa, uma Chefe do Poder Executivo, que tomar decisões.

Para fazer uma gestão eficiente um Presidente da República, Governador, Prefeito, Presidente de empresa, precisa contar com uma equipe qualificada e motivada, sendo indispensável a delegação de poderes, sob pena de emperrar o processo decisório, além de aumentar muito o risco de se tomar decisões equivocadas.

Delegar ou não delegar é mais uma questão de característica de personalidade, difícil de mudar. No regime militar, Médici delegava bastante. O coordenador da área econômica era o então Ministro da Fazenda, Delfim Netto. Ainda durante o período militar, Geisel era minucioso. Gostava de discutir detalhes técnicos com seus auxiliares.

Lembro-me que certa vez, em l974, num dos despachos de Simonsen (eu integrava sua Assessoria Econômica) com Geisel, um dos temas era “Imposto de Renda de Jogadores de Futebol”. Simonsen desenvolveu uma sofisticada fórmula matemática para explicar seus argumentos a favor de um eventual tratamento diferenciado para os craques do futebol.

O então Ministro da Fazenda somente fez isso, naturalmente, porque sabia do gosto do Presidente Geisel por esse tipo de abordagem. A autonomia dos ministros, naturalmente, ficava limitada. Geisel não tinha superministros e ficou até conhecido como Presidente Imperial. Mas tinha uma equipe de alto nível (minha opinião).

FHC reuniu uma equipe de alto nível (minha opinião) e delegava na medida correta (a meu ver). A formulação e a execução da política econômica ficavam no eixo Fazenda/ Banco Central. Era relativamente frequente que ministros (economistas) de outras áreas tentassem questionar a orientação da política econômica. Como Presidente, FHC, não permitia que a condução da política econômica ficasse embaralhada. Havia uma direção. Isso era fundamental para que os agentes econômicos (consumidores, investidores, empresas) pudessem tomar suas decisões. No Governo Lula, a política monetária (uma área crucial) foi confiada a Henrique Meirelles e o BC conseguiu operar com suficiente autonomia técnica.

No Governo Dilma, comenta-se que um ministro declarou-se (a um colega) frustrado por nunca ter tido um despacho com a Presidente, ao que o colega do ministério teria dito: “sorte sua, assim você se livra de levar bronca”. Verdadeiro ou não, o suposto episódio, o fato é que a fama de truculência verbal de Dilma com seus auxiliares é coisa amplamente comentada. Se isso for verdade não seria de surpreender que, na maioria das vezes, seus auxiliares estejam mais interessados em “advinhar” o pensamento da Presidente do que em oferecer sugestões. Isso me faz lembrar de um antigo personagem do Jô Soares na TV (não me lembro do nome) que dizia, sempre que o chefe aparecia com alguma ideia: “tirou daqui chefe!”, apontando para a própria cabeça.

Enfim, a impressão que se tem é que Dilma não é somente a sua própria ministra da Economia. Ela é ministra de quase tudo. O resultado prático não parece dos mais brilhantes, ao contrário.

Quanto à recente postura do BC, já comentamos aqui que Tombini teria sido autorizado a “fazer o que for necessário” para controlar a inflação. A responsabilidade do BC é grande, pois não tem contado com a ajuda de outros segmentos da ação governamental (como aumento dos gastos públicos e expansão do crédito pelos bancos oficiais). De quebra, o BC poderá ficar com o ônus de prejudicar o crescimento e ainda não conseguir grandes resultados no controle da inflação.

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