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Finanças comportamentais, o que é?

Você já comeu algum alimento, poucos dias após o vencimento, mas que estava na geladeira e você, com fome, pensou; “não vai dar em nada”, e mandou pra dentro?

Bem, se você não fez, é provável que conheça quem tenha feito, correto?

Muito provável que o produto não custava mais que R$ 5,00, e você, ou “um amigo seu”, se arriscou a ser contaminado por alguma bactéria que poderia ter causado algo entre um simples desarranjo intestinal até uma internação por intoxicação.

Uma decisão, aparentemente inocente, sem muitos custos envolvidos, que, num momento de fome, foi mais forte que a mensuração do risco e te venceu.

Você já saiu da dieta porque não resistiu a um simples brigadeiro? Ou um copinho de chopp?

Já há alguns dias resistindo comer doces ou beber álcool, mas- naquele momento – o brigadeiro olhou para você com aquele sorriso maroto, dizendo eu fui feito para você, ou aquele copo de chopp parecia tão mais saboroso depois de alguns dias distante que foi inadiável o reencontro.

Enfim, são muitas situações em que as emoções nos dominam no dia a dia e nos fazem sair de nossos planos.

Como pode a gente fazer planos para nosso bem, mas não conseguirmos cumpri-los por conta de nosso próprio comportamento?

O que? Você está prometendo que vai começar a academia de ginástica na próxima semana? Sei…

Mas o que tudo isso tem a ver com finanças?

Tudo!

Pois, o objetivo das finanças comportamentais é estudar o comportamento econômico e a tomada de decisão dos indivíduos.

Enquanto a economia vai dizer que basta gastar menos do que se ganha para ter economias para o futuro, os pesquisadores das finanças comportamentais estão focados em entender os motivos pelos quais uma coisa tão simples, como guardar dinheiro, não é feita pela maioria das pessoas, inclusive por aquelas que prometem fazê-lo. E pasmem, muitos consultores financeiros também!

Para isto, analisamos todas as influências cognitivas, sociais e emocionais que os indivíduos têm e, o quanto isso afeta o seu comportamento econômico.

Finanças comportamentais busca entender os mercados financeiros, sem deixar de lado aspectos psicológicos dos indivíduos, que compõem estes mercados.

Como diz Richard Thaler, Nobel de Economia em 2017 e um dos pais desta disciplina: “finanças comportamentais é apenas finanças com a cabeça aberta”.

Então, por que o indivíduo se arrisca a se contaminar, gastar um dinheirão, tempo e saúde por um instante de prazer e satisfação de comer aquele delicioso produto, apesar de já estar vencido?

Porque quando a emoção bate, por exemplo, a fome, é muito difícil controlar o comportamento, da mesma forma, ocorre quando decidimos guardar dinheiro para o futuro.

No momento em que tomamos essa decisão, estamos com a cabeça fresca voltada para o nosso futuro sonhado, mas no dia em que o pagamento cai na conta, já somos uma pessoa diferente.

Neste momento, estando com o dinheiro em mãos, pensamos que talvez um pequeno mimo seja recompensador e que, no próximo pagamento, aí sim, eu vou reservar uma parcela para o futuro. E os meses vão passando e a história se repetindo.

E não pense que isso só afeta os indivíduos. Estudos de finanças comportamentais revelam, por exemplo, que grandes decisões, de grandes empresas, tomadas por executivos muito experientes, também têm muita afetação do lado emocional.

A maior parte dos grandes processos de fusões e aquisições acaba não trazendo o retorno esperado e, na maioria das vezes, porque os executivos tomadores de decisão avaliaram de forma excessiva os benefícios, ou seja, acabaram por incluir em seus cálculos o que eles gostariam de ver, e não o que a realidade mostrava.

Já experimentou ir a um supermercado com fome?

Pesquisas revelam que pessoas que fazem isso acabam gastando mais do que previam.

É mais ou menos isso que acontece nestes processos empresariais. Afinal, os tomadores de decisão, por mais experientes que possam ser, ainda assim, são antes de tudo seres humanos.

E, por serem assim, são regulados muito mais pela emoção do que pela razão. Como bem disse o psicólogo Wilfred Bion: “A razão é escrava da emoção e existe para racionalizar a experiência emocional”.

Você já fez uma pequena reforma na sua residência e percebeu que ela não terminou no prazo previsto, tampouco ficou dentro do orçamento estipulado?

Pois é, chamamos isso de falácia do planejamento em finanças comportamentais

Efeito que afeta você na sua reforma, mas também a empresa com seu orçamento anual. Você já viveu a experiência de um orçamento anual fechar como previsto no final do ano?

E por que isso tudo acontece?

Isto tem relação com o processo de formação do intelecto humano que, por milhares de anos, passou apenas no modo regido pelo instinto emocional, pela busca da sobrevivência.

Essa é a razão pela qual, nossas decisões têm muito mais um cunho emocional, do que o resultado de um processo racional. Emoções ligadas a preservação da vida, como o medo e aversão à perda, ainda são muito latentes em nós seres humanos.

Tudo isso se consolidou em nossa mente através de vieses cognitivos. Ou seja, as tendências de pensamento que surgem geralmente a partir de atalhos de processamento de informações. Como a nossa capacidade de processamento cerebral é limitada, não conseguimos prestar atenção a tudo. Nós tendemos a usar atalhos mentais para facilitar nossas decisões, e esses atalhos acabam nos levando a erros de julgamento.

Por exemplo, você prefere comprar ações de qual empresa?

Empresa A que teve um crescimento de 10% no último trimestre

Empresa B que teve um crescimento de apenas 10% no último trimestre

Embora ambas tenham tido o mesmo percentual de crescimento, a opção B, com a inserção da palavra apenas, já tira nosso foco e faz com que gostemos menos dela.

Do ponto de vista matemático, não há diferença entre elas, mas o “apenas”, faz toda diferença para nós, no aspecto emocional, ele tira o nosso afeto desta opção e por isso tendemos a gostar mais da empresa A.

Isto não é racional, não é lógico, é apenas emocional e é assim que as coisas funcionam. Estejamos nós discutindo uma dieta, a compra de uma empresa ou nossas próprias finanças.

Por isso, inscreva-se no curso de finanças comportamentais aqui na FIPECAFI e venha discutir com a gente de forma aprofundada, os aspectos emocionais, em nossas decisões.

O objetivo do curso é oferecer a você uma visão ampla sobre o fator psicológico nas projeções, tomadas de decisões e o impacto destas na gestão financeira pessoal e empresarial. INSCRIÇÕES AQUI: https://fipecafi.org/Cursos/DetalheCursoEdux?cursoId=706

Finanças não é só planilha, é também comportamento, por isso finanças comportamentais.

Texto escrito pelo professor Emerson W. Dias que ministra o curso de finanças comportamentais aqui na FIPECAFI.

Autor

Prof. Emerson é Mestre em Administração (FIA), MBA internacional em Gestão Estratégica de Pessoas (FGV/BABSON), pós graduado em controladoria (Trevisan), com especializações em direito tributário e societário, psicologia organizacional e econômica, especialista em instrumentos psicométricos, bacharel em Ciências Contábeis e escritor com 5 livros publicados

www.oineditoviavel.com.br